Invasores colocam fogo em terra indigena Wajuru

Invasores colocam fogo em terra indigena Wajuru
Invasores colocam fogo em terra indigena Wajuru

Indígenas da etnia Wajuru que habitam no vale do Guaporé, em Rondônia

“Estamos esperando o pior a qualquer momento”, desesperou-se a cacique Valda da etnia Wajuru que habita no vale do Guaporé, em Rondônia. Os moradores da região, em Rolim de Moura do Guaporé (RO), vivem pressão de invasores que estão usando como estratégia incêndios em áreas de agricultura das aldeias.

Os moradores conseguiram enviar alguns vídeos via Whatsapp para o Diário da Amazônia, denunciando o violento ataque que estão sofrendo.

Há cerca de 30 metros de distancia, as chamas ameaçam destruir as casa feitas de madeira, algumas foram feitas com teto de palha. Material que pode ser incendiado facilmente. Os moradores retiraram as crianças do local. Enquanto isso, outras pessoas tentam apagar o fogo com baldes cheios de água.

As labaredas começam a ganhar força devido a ação dos ventos. Desesperadas, algumas mulheres começam a chorar. O medo, tristeza e o fogo, em pouco tempo, começam a se espalhar pela aldeia.

Em outra casa uma criança diz “mamãe, mamãe não tá morta, olha. Tô com medo!” e começa a chorar. Em seguida os moradores são chamados a irem a uma canoa. Caso o fogo ameace a vida das pessoas, a alternativa é fugir pelos afluentes do rio Guaporé.

Depois de muito esforço, de balde em balde, os moradores conseguiram evitar que as casas fossem consumidas pelo fogo. No entanto, plantações de colorau e outras formas de agricultura foram destruídas pelas chamas.

“Esses incêndios causaram problemas respiratórios nas crianças. E o Hospital mais próximo fica a mais de 300 km de distancia. Além de percorrem esse trajeto por estradas, os indígenas precisam fazer uma viagem de 30 minutos pelo rio”, explicou o professor Marco Teixeira, do departamento de História, e núcleo de Direitos Humanos e desenvolvimento da Justiça da Unir (Universidade Federal de Rondônia), campus de Porto Velho.

Atentados

O professor Marco Teixeira conta que grileiros atiram contra as casas. Além disso, armadilhas são feitas nas estradas para impedir que os índios saiam da região em busca de socorro.

“Eu passei a noite em um buraco por causa dos tiros, a gente tem que procurar abrigo para não ser baleado”, disse com preocupação.

Os invasores também derrubam arvores para bloquear as estradas. O professor destaca que os atentados acontecem mais durante a noite.

Usurpação territorial

Além dos atentados, o povo da etnia Wajuru sofre com invasões de grileiros, pastores e bolivianos.

Os grileiros colocam fogo em áreas de preservação ambiental para posteriormente extrair madeira. Em consequência, os incêndios destroem as plantações dos indígenas. Sem possibilidade de agricultura, os moradores sofrem com a escassez de alimentos. Além disso, a renda é comprometida devido a falta de alimentos para serem vendidos.

O professor também denúncia a presença de pastores neopentecostais que constroem igrejas de forma irregular nas propriedades dos Wajuru.

“O avanço das igrejas neopentecostais causam problemas na região. Um pastor construiu uma igreja na propriedade de um indígena, e essa igreja bloqueou a saída do morador, ele não conseguia sair da própria casa”, disse o professor Marco Teixeira.

Por outro lado, bolivianos avançam se apropriando da terra indígena. Em consequência, os indigenas acabam recuando. “Não tem mais pra onde esse povo recuar, eles já chegaram as margens dos rios”, explicou o professor Marco Teixeira.

Wajuru

Nas primeiras décadas do século 20, os Wajuru foram localizados pelos exploradores e seringalistas nos rios Terebito e Colorado, afluentes da margem direita do médio rio Guaporé, no estado de Rondônia. A maioria da população aldeada, cerca de 90 pessoas (em 2009), vive na Terra Indígena Rio Guaporé, localizada no baixo rio Guaporé. Ali vivem também muitos outros povos (Makurap, Djeromitxí, Tupari, Arikapu, Aruá, Aikanã, Kanoê, Kujubim), e a população total da TI neste mesmo ano ultrapassava 600 pessoas. Em Porto Rolim de Moura do Guaporé, povoado à beira do rio Mequéns, encontra-se outro agrupamento importante, composto por mulheres wajuru, seus maridos e filhos.

Por RedaçãoDIÁRIO DA AMAZÔNIA