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“Se reduzir o desmatamento as queimadas também diminuem” afirma General do Exército

Em entrevista com o Diário o General Lima contou como foi a experiência de comandar uma Brigada que abrange três estados da Amazônia.

No próximo dia 11 o General Luciano Batista de Lima se despede do comando da 17° Brigada de Infantaria de Porto Velho que assumiu no em agosto de 2019, durante o período das queimadas. Em entrevista com a equipe do Diário o General Lima contou como foi a experiência de comandar uma Brigada que abrange três estados da Amazônia.

O General explica como assumiu o comando da Brigada em Porto Velho no dia 27 de agosto do ano passado.

“Nós estávamos em uma fase complicada no estado, nós vivíamos a fase das queimadas muito intensa no ano passado, estava bem difícil para a população. No dia que cheguei me surpreendi quando peguei um Uber e o motorista me contou que levou uma criança para o hospital e ela veio a óbito por uma complicação respiratória. Isso foi impactante na minha chegada. Nessa mesma época iniciou a Operação Verde Brasil na região após um decreto presencial e o Exército atuou durante quase dois meses no combate a queimadas e ao desmatamento”, disse.

Segundo o General após a Operação Verde Brasil o estado recebeu uma redução no número de queimadas. “Cheguei literalmente no meio do fogo, no meio do incêndio. Começamos o mês de agosto com muitas queimadas, mas graças a ação coordenada do Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Ibama, Força Área nós conseguimos resultados.  Nós tivemos uma redução de queimadas no mês de outubro do ano passado, foi a menor quantidade de queimadas no estado.

Como foi participar da operação verde Brasil?

“A operação Verde Brasil do ano passado foi a primeira vez que nós atuamos com esse tipo de combate, a incêndios e ao desmatamento. Essa operação foi curta, foi de dois meses. Esse ano 2020, a Operação Verde Brasil II começou no dia 6 de maio e só vai acabar no mês de abril do ano que vem. É praticamente um ano de operação, esse ano o Governo Federal decidiu começar mais cedo com a intenção de antecipar o período de queimadas. O mês de maio é a fase de desmatamento que é o combustível da queimada. Se a gente conseguir reduzir o desmatamento, as queimadas também vão reduzir.”

Qual foi o principal ensinamento da operação?

“O principal ensinamento foi a integração que existe no estado. Rondônia é o estado do Brasil que tem a melhor integração dos órgãos de combate aos crimes ambientais. Entre eles estão as forças armadas, a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, IBAMA, Semi Bio e as demais  que participaram. Polícias Federais, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) a Funai. Todos esses grupos trabalharam juntos e esse é o principal objetivo da operação Verde Brasil em Rondônia.”

Aplicativo Guardiões da Amazônia

“O aplicativo foi desenvolvido pelo Exército Brasileiro com autorização do Conselho nacional da Amazônia Legal. Hoje a tecnologia de denúncia está disponível em toda a Amazônia Legal e é usado no mundo inteiro, criado em Rondônia, ele é uma vitória para o nosso estado.”

Quais foram as ações de Covid-19 realizadas pelo Exército?

“Tivemos mais duas operações muito importantes esse ano. Nós tivemos a Operação Covid-19. Ela começou logo no início da pandemia que ocorreu no Brasil inteiro. Aqui em Rondônia, no Acre e no sul do Amazonas nós atuamos em algumas ações. A primeira grande ação foi a desinfecção do aeroporto internacional Jorge Teixeira com especialistas em defesa química. Fizemos a desinfecção do corpo de bombeiros a desinfecção da central de polícia, casa de apoio do Hospital de Amor e outras. Além de fazer a desinfecção, nós treinamos agentes públicos para esse trabalho. Participamos do mapeia Rondônia com o Governo do estado que realizou mais de 100 mil testes. Na ação enviamos nossas equipes para os municípios de Guajará, Ji-Paraná, Cacoal e Porto Velho para ajudar na organização das testagens.”

Outras ações na pandemia

“Fizemos a maior campanha de doação de sangue em Rondônia. E não foi só o Exército que participou. No total foram junto com cinco forças Exército, Marinha, Força Aérea, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar eu mesmo fui doador de sangue. Na área em que trabalhamos, incluindo o Acre, realizamos a maior distribuição de cestas básicas do Brasil. No estado nós distribuímos 39 mil cestas básicas, outra operação importante. Nós também apoiamos o estado com o recebimento de medicamentos do Governo federal e nós ajudamos a entregar esses remédios no estado.  Também tivemos as barreiras sanitárias, particularmente na fronteira em Guajará-Mirim e em Costa Marques, que são os principais pontos de entrada vindo da Bolívia.”

Sobre a Operação Amazônia

“A Operação Amazônia aconteceu em Humaitá com aproximadamente mil militares, mais de 100 viaturas e mais de 90 horas de voos de aeronaves da Força Aera Brasileira realizaram treinamento conosco. A ação foi uma simulação de guerra realizada em cima das hipóteses de conflito que o Brasil possa viver e é uma operação que foi realizada em toda a Amazônia. As tropas de Porto Velho, Guajará-Mirim e do Acre todas foram para Humaitá (AM) para fazer o treinamento.”

Como foi acompanhar uma Brigada que abrange três estados

“É uma experiência fascinante e gratificante. A grande vantagem estando sediados em Porto Velho, mas atuando com o Acre e o sul do Amazonas é que é uma população muito amável e colaborativa. Visitamos muitos municípios de Rondônia, fui de Vilhena até a Ponta do Abunã. O mais bacana disso é como o povo de Rondônia nos recebe e isso nunca vou esquecer. Tenho uma gratidão muito grande pelo povo, autoridades estaduais, municipais. E também da imprensa, ela é parte da solução dos problemas, colabora, ajuda e combate junto conosco. Estamos combatendo um incêndio, a pandemia com um vírus e nós sabemos que a imprensa é um soldado que esta conosco, que vai levar informação, notícia e esclarecimento da população graças ao trabalho de Rondônia.”

Impressões de Rondônia

“Vou sair de Rondônia porque faz parte da estrutura do Exército. Em todos os lugares que fui bem recebido, fiz grandes amigos aqui. A imprensa daqui faz milagres com muito esforço para entregar um jornalismo de qualidade. Já morei em vários estados e também nos Estados Unidos e nunca vi um local onde a integração dos órgãos sempre foi muito boa e a imprensa tenha um trabalho tão bonito como vocês tem aqui. Ou seja, levo a alegria de ter convivido com uma população amável. Além do calor do sol, recebi esse calor humano aqui”, finalizou.

 

Por Larina Rosa / Diário da Amazônia

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